— agridoce

São Paulo – 25 de maio de 2013

 

06

 

11

 

14

 

16

 

19

 

23

 

 

Fiz essas fotos ano passado durante a terceira edição da Marcha das Vadias. Foi a primeira vez que usei a Olympus Trip, uma câmera muito legal pra quem não estudou quase nada de fotografia, como eu. Não levo muito a sério, mas essa desinformação toda me rendeu uma bronca do Sr. Ogawa, o ojiisan que revela filmes na Barão de Itapetininga. Ele falou que ajustei errado a abertura e eu me justifiquei dizendo que era uma câmera nova que ainda estava testando, mas a verdade é que deixei no automático e fiquei com vergonha de falar.

 

Read More

Let Forget

 

Baseada em Let Forget, música dessa banda que chama Jesus Macaco.

Read More

 

 

Ilustrações da cidade

 

(…) por favor, observe atentamente as cidades reais. Ao fazer isso, escute, concentre-se e reflita sobre o que está vendo. - Jane Jacobs, Morte e Vida de Grandes Cidades

Dá uma certa agonia pensar em como nossa vida é atingida pela estrutura da cidade onde vivemos e, principalmente, como isso é ignorado na maior parte do tempo. Mesmo com o pouco que sei sobre o assunto, São Paulo consegue representar na vista que tenho da minha própria casa tudo que considero um erro em termos de urbanismo. Vou me mudar em breve pra um lugar bem diferente, mas não tenho dúvidas que a janela não vai me mostrar nada muito mais animador.

Fico pensando por que acumular tanto tempo de vida numa cidade tão disfuncional, e chego à conclusão de que é exatamente aí que São Paulo se salva: se torna importante simplesmente por ser a minha cidade. Ruas inseguras, mal planejadas, vazias; estacionamentos enormes ao lado de condomínios de gente amontoada; praças vazias e shoppings lotados; calçadas mal-cuidadas; especulação imobiliária e higienização social. Dentro desse contexto que estão grande parte das minhas histórias, e é ele que me influencia diariamente.

Read More

- Tia “Fefenanda”, vamos disputar quem come a gelatina primeiro?
- Não dá, eu já terminei a minha faz tempo.
- Finge que não, ué.

Disputamos e eu, invariavelmente, perdi.

- Perdi. E agora?
- Agora eu sou uma ovelha que faz… MUUU!
- Mas ovelhas não conseguem fazer MUUU. Ovelhas fazem MÉÉÉ.
- Mas eu consigo, ué.
- Então eu sou um dinossauro que faz MIAU.
- DINOSSAUROS NÃO FAZEM MIAU DINOSSAUROS FAZEM GRRRAU.

 

Lição número 1: a realidade pode ser adaptada.
Lição número 2: ovelha é um assunto que pode ser tratado levianamente. Dinossauros, não.

 

Read More

 

Certos filmes, livros e músicas parecem esperar a hora certa pra aparecer e ajudar a dar sentido ao que não conseguimos sozinhos. Uma das funções de toda produção artística, no fim. Young Adult cumpriu isso muito bem pra mim. E ainda me ganhou logo nos créditos iniciais, com a Charlize Theron cantando The Concept do Teenage Fanclub. Acho que poucas bandas conseguem traduzir tanto essa fase indefinida em que tentamos encontrar um equilíbro entre uma vida de adulto e a vontade inconsciente de permanecer jovem.

Read More

 

(…) o caos é um estado em que tudo pode acontecer (assim como a ordem, antônima do caos, é um estado do qual certos eventos são quase excluídos, enquanto outros são mais que aleatoriamente prováveis), em que nenhum evento tem maior probabilidade que qualquer outro – mesmo que tivesse, não seríamos capazes de dizê-lo de antemão. Ser caótico é estar desprovido de estrutura – se “estrutura” significar uma distribuição assimétrica de probabilidades, uma não aleatoriedade dos eventos. – Bauman, Vida em Fragmentos

E sem querer a lista de metas pra esse ano que escrevi na minha agendinha no dia 3 de janeiro fez muito sentido. O que escrevi e o que não escrevi. O mais engraçado é que, apesar disso, nunca acreditei que a vida é dividida em fases de 365 dias que, quando terminam, mudam alguma coisa. Acho que cada pessoa tem seu ano novo particular, que pode acontecer mais de uma vez dentro daquilo que chamamos de ano. O meu começa agora. Feliz ano novo.

Read More

 

As férias chegaram depois do ano mais corrido da minha vida. Ano de TCC, que por sua vez foi em grande parte feito com o disco da Tulipa Ruiz tocando. Entre todas as músicas, “A Ordem das Árvores” sempre foi minha preferida, dessas que trazem ânimo instantâneo mesmo com algumas dezenas de páginas a serem escritas. Sempre quis fazer algo com ela por achar uma música extremamente visual, mas ainda não tinha conseguido tempo pra isso. Hoje, com a tarde livre e chuvosa que tive, deu nisso:

 

todo bem-te-vi carrega uma paineira

Read More

Dia 5 de novembro, como muitos puderam saber pelas redes sociais, é o Dia do Designer. A data foi definida por ser o dia do aniversário de Aloísio Magalhães, um dos pioneiros do design moderno no Brasil. Durante a semana toda grande parte dos designers que conheço e que não conheço inundaram o facebook com imagens da campanha divulgada pela Revista De2ign. A campanha não veio acompanhada de nenhum tipo de manifesto ou ação concreta, só divulgava imagens com frases do tipo “Esta pessoa soletra sempre sua profissão quando lhe perguntam”, “Esta pessoa não é design e nem faz designer”, resumindo: o famigerado mimimi. Eu não sei qual é a reação que as pessoas que não são designers tem ao ler esse tipo de coisa, mas eu, mesmo sendo, sempre penso um grande “Aham, Cláudia, senta lá”.

Entendo os percalços da profissão – os problemas com clientes que não dão o devido valor ao serviço e o desconhecimento de boa parte das pessoas quanto ao que realmente faz um designer, e também passo por todos eles. Mas o tipo de atitude dessa campanha me deixa em dúvida quanto a diversos fatores. Quem é mais responsável pelo mercado em que atuamos, nós ou os clientes e o resto do mundo? É justo exigir que um cliente saiba todas as etapas de um projeto de design e todo o custo que isso envolve? Particularmente, eu não sei nada sobre o dia a dia de muitas profissões das quais tenho contato, e acredito que existem muitas que sofrem com os mesmos problemas – ou piores – que nós. Apesar disso, nunca vi um arquiteto reclamando que perdeu uma obra para um pedreiro sem formação acadêmica. “O mercado dita as regras”? Talvez, mas o fato é que não existe um mercado só, existem necessidades diferentes para projetos e profissionais diferentes.

A distorção do design tanto como conceito quanto como profissão historicamente não partiu somente dos clientes. Afinal, quem faz e divulga a grande quantidade de “projetos-conceito” coloridos e engraçadinhos que, quando são produzidos, não tem utilidade alguma e não são acessíveis às pessoas, são os próprios designers. É só olhar na grande maioria dos “blogs de inspiração” da área. Cabe a nós mostrar o devido valor de um projeto, começando pela escolha do projeto e, acima de tudo, sabendo transmitir seu ponto de vista ao cliente.

Portanto, vale voltar o olhar a nós mesmos e tentar analisar questões que, se resolvidas, seriam bem mais efetivas: será que o seu design realmente vale mais que o de um “sobrinho”? Você realmente põe em prática o processo que valorizaria seu trabalho? O seu cliente tem a obrigação de saber do que você está falando ou seu ego que não te deixa explicar? Pra terminar, conversando sobre isso com a Gabi, ela lembrou de uma frase da crônica “Da Timidez”, de Luis Fernando Veríssimo, que se aplica muito bem nesse caso:

É como no paradoxo psicanalítico, só alguém que se acha muito superior procura o analista para tratar um complexo de inferioridade, porque só ele acha que se sentir inferior é doença.

Read More

Primeira postagem é sempre muito chata.

Essa é minha nova tentativa (pelas minhas contas, a 437ª) de ter um blog, e dele se chamar Agridoce. O nome é por causa de uma música do Pato Fu, que eu ouvi pela primeira vez em um show no ápice do meu fanatismo, que me permitiu resistir a 3 horas de espera debaixo de chuva. Lembro que achei a música parecida com alguma do Roberto Carlos e depois li a mesma coisa em um monte de resenhas, o que me deixou muito orgulhosa e com intenções jornalístico-musicais. Ah, adolescência.

Minha vontade de abrir o blog veio da necessidade de ter um lugar fixo pra divulgar e comentar as coisas que tenho vontade. Veio também da minha não-adaptação a tantas redes sociais. Vejo algo interessante e sempre fico em dúvida: mostrar no tumblr? Postar no facebook? Twittar? O que determina o melhor lugar pra divulgar determinada informação? Na minha (pelo que vejo, ultrapassada) decisão, um blog ainda é o melhor lugar. Talvez não o mais prático – o que também me agrada por me fazer evitar a dinâmica fácil e reducionista de copy-paste-post-like.

Ah, não sei sobre o que vai ser blog e nem pretendo definir.

 

Read More